Uso e Cobertura das Terras na região Nordeste do Estado de São Paulo - Embrapa Monitoramento por Satélite

Uso e Cobertura das Terras na Região Nordeste do Estado de São Paulo

Área de Estudo

A Região Nordeste do Estado de São Paulo, utilizada como referência espacial neste trabalho localizada entre as coordenadas 19º52' e 22º51' de latitude Sul e 46º16' e 49º20' longitude Oeste, compreende 125 municípios. Juntos, eles ocupam 51.725 km2 e representam 20,83% do Estado de São Paulo (Figura 1). Nesta Figura, a região em azul corresponde aos domínios do Projeto Ecoagri, enquanto a representada em vermelho pertence à área de atuação da ABAG-RP.

Figura 1: Localização da área de estudo no Estado de São Paulo

A área de estudo é uma das mais influentes regiões econômicas nacionais. Nela encontram-se as microrregiões de Ribeirão Preto, Araraquara, Barretos, Batatais, Franca, Ituverava, Jaboticabal, São Carlos, São João da Boa Vista, São Joaquim da Barra, Pirassununga e parte das microrregiões de Amparo, Limeira, Moji-Mirim, Rio Claro e São José do Rio Preto. (Figura 2)

Figura 2: Área de estudo segundo as microrregiões do IBGE

A história recente de ocupação da Região Nordeste de São Paulo iniciou-se na segunda metade do século XIX com o estabelecimento da cafeicultura, atraída pela fertilidade natural das terras. Nesse período, grandes extensões de florestas mesófilas semidecíduas, matas paludícolas e cerrados foram desbravadas para a introdução da cultura do café. (KOTCHETKOFF-HENRIQUES, 2003)

Desde sua origem, as atividades vinculadas ao setor agropecuário sobressaíram-se na economia regional. Após a grande crise mundial de 1920, com a quebra da bolsa de Nova York, a região substituiu paulatinamente a cafeicultura pela diversificação de usos da terra. Atualmente, o café ainda é importante, mas divide espaço com outras atividades agropecuárias, com destaque para a cana-de-açúcar, a fruticultura, a soja e a pecuária.

A paisagem da Região Nordeste do Estado começou a firmar-se e a adquirir os contornos atuais a partir da década de 1970. No mínimo dois acontecimentos desencadeados na década de 70 foram importantes nessa evolução: o primeiro foi a intensificação do processo de desconcentração industrial da capital paulista nessa época e o segundo, o lançamento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool).

Conforme DOZENA (2001) após a década de 1970, a cidade de São Paulo passou por um processo de reestruturação, motivada pelos problemas ambientais, econômicos e sociais agravados com o seu inchaço e a falta de planejamento urbano. Com um movimento de desconcentração das atividades econômicas e industriais houve a tendência das atividades industriais migrarem para o interior do Estado. A partir desse processo formou-se uma mancha urbana contígua à metrópole e no sentido dos grandes eixos rodoviários, dentre eles a Rodovia Anhangüera (SP-330), que liga a Região Nordeste do Estado à capital.

Nesse período, a região beneficiou-se da proximidade e da infra-estrutura já consolidada, principalmente no setor de transportes, para atrair as indústrias que migravam da cidade de São Paulo. Com a chegada das indústrias, os serviços também se diversificaram assim como o comércio e a geração de empregos. Isso atraiu a população de outras regiões do Estado e do país e intensificou o crescimento das cidades médias.

As políticas públicas implantadas, especialmente o Programa Nacional do Álcool em 1975, também foram importantes para a definição dos contornos das paisagens, principalmente pelos incentivos oferecidos à produção da cana-de-açúcar e ao fomento econômico de toda sua cadeia produtiva.

A baixa distância entre a capital e o elevado crescimento endógeno da Região Nordeste do Estado foram responsáveis pelo estabelecimento de uma série de vantagens comparativas na implantação de infra-estrutura em educação, pesquisa técnico-científica, transportes (Figura 3), comunicações e definiram-se como elementos primordiais para consagrá-la no cenário econômico brasileiro e mundial. Todo esse conjunto de fatores fizeram com que esta Região exercesse influência e também se adequasse rapidamente às novas exigências do mercado global, tornando-se nele competitiva e altamente engajada.

Figura 3: Rodovia SP-330, no município de Luís Antônio/SP

As modernas técnicas empregadas pelo setor agropecuário fez com que a agricultura na Região Nordeste, com destaque à microrregião de Ribeirão Preto, fosse uma das primeiras do Brasil "a ser largamente exposta à modernização inerente ao período técnico-científico-informacional" (ELIAS, 2003), (Figuras 4 e 5). Conforme a mesma autora, a agricultura na região se transformou em um empreendimento em consonância com a racionalidade deste período, demonstrando ter possibilidades semelhantes aos demais setores da economia na aplicação de capital e na obtenção de alta lucratividade, permitindo maior valorização dos capitais nela investidos.

Figura 4: Máquinas agrícolas para a cultura da soja, em Barretos/SP

Figura 5: Cultura de sorgo plantada com sementes híbridas, município de Ribeirão Preto/SP

A Região Nordeste não apresentou em sua totalidade um nível de crescimento econômico homogêneo, alguns eixos se destacaram, em geral acompanhando o traçado das maiores e melhores rodovias e nas proximidades das usinas de açúcar e álcool. Não houve um processo homogêneo de inclusão dos municípios devido à diferenciação na implantação de infra-estruturas provenientes de capital privado, na aplicação de políticas públicas, na implementação das inovações pelo setor agrícola local dada a existência de variados condicionamentos ambientais das diversas paisagens naturais. Estas últimas não impediram, mas orientaram a implantação e a intensificação do agronegócio e a criação de sub-espaços.

Com sua estrutura interna heterogênea, a Região Nordeste do Estado de São Paulo e os produtos advindos das atividades agrossilvopastoris (como a cana-de-açúcar, as oleaginosas, a fruticultura, a pecuária) e suas cadeias produtivas são extremamente importantes para o Brasil e para sua projeção no mercado internacional. Nesse cenário, os formuladores de políticas públicas e privadas identificam a necessidade de trabalhar com dados e informações, atualizadas e precisas e com novas ferramentas para a elaboração de cenários e estudos prospectivos nas mais diversas áreas econômicas e sociais.



Nota:
Os municípios que compõem a área de estudo em ordem alfabética são: Aguaí, A. da Prata, A. de Lindóia, Altair, Altinópolis, A. Brasiliense, Amparo, Analândia, Aramina, Araraquara, Araras, Barretos, Barrinha, Batatais, Bebedouro, Boa E. do Sul, Borborema, Brodosqui, Buritizal, Caconde, Cajuru, Cândido Rodrigues, Casa Branca, C. dos Coqueiros, Colina, Colômbia, Conchal, Corumbataí, Cravinhos, Cristais Pta, Descalvado, Divinolândia, Dobrada, Dourado, Dumont, Eng. Coelho, Esp. Sto. do Pinhal, E. Gerbi, Fernando Prestes, Franca, G. Peixoto, Guaíra, Guará, Guaraci, Guariba, Guatapará, Ibaté, Ibitinga, Icém, Igarapava, Ipuã, Itapira, Itápolis, Itirapuã, Itobi, Ituverava, Jaborandi, Jaboticabal, Jardinópolis, Jeriquara, Leme, Lindóia, Luís Antônio, Matão, Miguelópolis, Mococa, Mogi-Guaçu, Moji-Mirim, Mte Alto, Mte Azul Paulista, M.Agudo, Motuca, N. Europa, Nuporanga, Olímpia, Orlândia, Patrocínio Pta, Pedregulho, Pirangi, Pirassununga, Pitangueiras, Pontal, P. Ferreira, Pradópolis, Restinga, Rib. Bonito, Rib. Corrente, Rib. Preto, Rifaina, Rincão, Rio Claro, Sales Oliveira, Sta Cruz da Conceição, Sta Cruz da Esperança, Sta Cruz das Palmeiras, Sta Ernestina, Sta Lúcia, Sta Rita do P. Quatro, Sta Rosa do Viterbo, Sto A. da Alegria, Sto A. do Jardim, São Carlos, S. João da Boa Vista, S. Joaquim da Barra, S. José da Bela Vista, S. José do R. Pardo, S. Seb. da Grama, S. Simão, Serra Azul, Serra Negra, Serrana, Sertãozinho, Socorro, Tabatingua, Taiaçu, Taiúva, Tambaú, Tapiratiba, Taquaral, Taquaritinga, Terra Roxa, Trabiju, V. Grande do Sul, Viradouro e Vista Alegre do Alto.

voltar ao topo

 


Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Centro Nacional de Pesquisa de
Monitoramento por Satélite
Copyright © 2006 - Atualizado em 21-03-2006

Embrapa Monitoramento por Satélite
Av. Soldado Passarinho, 303
Fazenda Chapadão CEP 13070-115 Campinas, SP, Brasil
Fone: +55 (19) 3211-6200 Fax: +55 (19) 3211-6222